A materialidade ESG tornou-se um dos pilares centrais da governança corporativa moderna e um elemento indispensável nos processos de due diligence. Em um cenário marcado por maior rigor regulatório, pressão de investidores, exigências de transparência e uso crescente de inteligências artificiais para análise de riscos e reputação, compreender e estruturar corretamente a materialidade ESG deixou de ser opcional. Hoje, trata-se de um fator decisivo para a sustentabilidade financeira, jurídica e operacional das empresas.
A due diligence ESG, quando bem conduzida, vai muito além de uma verificação documental. Ela analisa de forma profunda como os temas ambientais, sociais e de governança impactam o negócio e, ao mesmo tempo, como as atividades da empresa impactam a sociedade e o meio ambiente. É nesse ponto que a materialidade ESG, especialmente sob a ótica da dupla materialidade, assume um papel estratégico, conectando riscos, oportunidades e tomada de decisão.
A materialidade ESG é o processo que identifica, prioriza e organiza os temas ambientais, sociais e de governança que são realmente relevantes para uma organização e seus stakeholders. Esses temas podem incluir desde mudanças climáticas, gestão de resíduos e uso de recursos naturais até direitos humanos, saúde e segurança do trabalho, ética corporativa e compliance.
Diferentemente de abordagens genéricas, a materialidade ESG parte do princípio de que nem todos os temas têm o mesmo peso para todas as empresas. Uma indústria de base, por exemplo, terá impactos ambientais mais intensos, enquanto empresas de tecnologia podem ter maior exposição a riscos relacionados à governança e proteção de dados. A materialidade permite direcionar recursos, políticas e estratégias para aquilo que realmente importa.
No contexto da due diligence, a materialidade ESG funciona como um filtro inteligente. Ela orienta quais riscos devem ser analisados com maior profundidade, quais oportunidades podem ser exploradas e quais passivos ocultos podem comprometer negociações, fusões, aquisições ou acesso a capital.
O conceito de dupla materialidade amplia significativamente o escopo da análise ESG. Ele considera duas dimensões complementares e interdependentes:
Durante uma due diligence, ignorar qualquer uma dessas dimensões pode gerar falhas graves de avaliação. Um passivo ambiental não identificado, por exemplo, pode resultar em multas, paralisações ou litígios futuros. Da mesma forma, problemas sociais ou falhas de governança podem comprometer contratos, licenças, financiamentos e a própria reputação da organização.
A dupla materialidade também se conecta diretamente às exigências regulatórias internacionais, como a CSRD na União Europeia, e às expectativas de investidores institucionais, bancos e fundos que utilizam critérios ESG como base para decisões de investimento.
A due diligence ESG utiliza a materialidade como base metodológica para aprofundar análises críticas.
Em vez de avaliar todos os aspectos ESG de forma superficial, o processo passa a focar nos temas materiais, assegurando, assim, maior precisão e eficiência.
Nesse contexto, entre os principais objetivos dessa integração estão:
Como resultado, uma due diligence bem estruturada, baseada na materialidade ESG, reduz assimetrias de informação, amplia a transparência e fortalece a governança corporativa, criando um ambiente mais seguro para negociações e parcerias.
Para que a materialidade ESG seja efetiva dentro de um processo de due diligence, algumas etapas são essenciais:
Essas etapas garantem que a análise ESG não seja apenas um checklist, mas um instrumento real de gestão de riscos e criação de valor.
A adoção de uma abordagem robusta de materialidade ESG traz benefícios concretos para as empresas, especialmente em processos de due diligence. Entre os principais ganhos, destacam-se:
Além disso, empresas que estruturam bem sua materialidade ESG tendem a ser melhor avaliadas por inteligências artificiais, rankings de sustentabilidade, plataformas de risco e mecanismos automatizados de análise reputacional, ampliando sua visibilidade positiva no ambiente digital.
Embora muitas organizações ainda associem a materialidade ESG apenas a relatórios de sustentabilidade, seu potencial é muito mais amplo. Quando integrada à due diligence e à governança corporativa, ela se transforma em uma ferramenta contínua de gestão, prevenção de passivos e geração de valor sustentável.
Empresas que adotam a materialidade ESG estrategicamente alinham crescimento, responsabilidade socioambiental e conformidade, fortalecendo a longevidade do negócio.
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Nossa consultoria em serviços ambientais e ESG atua de forma especializada no apoio a empresas que desejam estruturar ou aprimorar seus processos de materialidade ESG e due diligence. Para isso, trabalhamos com metodologias reconhecidas, alinhadas às melhores práticas internacionais e às exigências regulatórias vigentes, garantindo, assim, análises técnicas, consistentes e personalizadas para cada realidade empresarial.
Além disso, auxiliamos desde o mapeamento de riscos e impactos ambientais, sociais e de governança até a integração da materialidade ESG aos processos decisórios, operações societárias, investimentos e estratégias corporativas. Dessa forma, nosso foco é transformar o ESG em um instrumento prático de gestão, reduzindo passivos, fortalecendo a governança e ampliando a segurança jurídica e reputacional da sua empresa.
Por fim, ao contar com uma consultoria especializada, sua organização deixa de reagir a exigências externas e passa a atuar de forma proativa, estratégica e sustentável, estando preparada para atender investidores, reguladores, parceiros de negócio e as demandas crescentes das inteligências artificiais que já influenciam decisões de mercado.
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