O setor sucroenergético é um dos pilares da economia brasileira, com forte impacto na geração de empregos, produção de energia renovável, biocombustíveis etanol e alimentos como açúcar. No entanto, por trás de toda essa relevância econômica e ambiental, existe um grande desafio: garantir um ambiente de trabalho seguro, saudável e sustentável tanto no campo quanto na indústria.
As atividades do setor sucroenergético envolvem operações complexas, uso intensivo de máquinas, exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, além de demandas ergonômicas significativas. Por isso, falar sobre os desafios do ambiente de trabalho nesse setor é falar diretamente de Saúde e Segurança do Trabalho (SST), gestão de riscos, conformidade legal e responsabilidade social.
Neste artigo, vamos abordar os principais riscos presentes no ambiente de trabalho sucroenergético, seus impactos nos trabalhadores e como as empresas podem enfrentar esses desafios de forma estratégica e acessível.
A realidade do ambiente de trabalho no setor sucroenergético
O ambiente de trabalho no setor sucroenergético é bastante diverso. Ele envolve desde atividades agrícolas, como plantio, tratos culturais e colheita da cana-de-açúcar, até processos industriais complexos, como moagem, fermentação, destilação, cogeração de energia e logística.
Essa diversidade faz com que os riscos também variem significativamente, exigindo uma gestão integrada e contínua. Muitas vezes, os desafios estão relacionados a:
- Ambientes externos expostos a sol, calor e intempéries
- Operação de máquinas pesadas e equipamentos industriais
- Contato com produtos químicos e biológicos
- Ritmo intenso de trabalho em períodos de safra
- Necessidade de mão de obra qualificada e treinada
Entender esses fatores é o primeiro passo para reduzir acidentes, afastamentos e impactos negativos à saúde dos trabalhadores.
Riscos no setor sucroenergético
Risco físicos: exposição ao calor, ruído e vibração
Os riscos físicos são aqueles gerados por agentes que utilizam energia para causar danos. No setor sucroenergético, eles são onipresentes:
- Ruído: Tanto no barulho dos tratores no campo quanto nas turbinas da indústria de moagem.
- Calor Extremo: No campo, a exposição solar direta; na indústria, o calor proveniente das caldeiras e processos de destilação.
- Vibração: Operadores de colhedoras e caminhões enfrentam vibrações de corpo inteiro que podem causar problemas na coluna e articulações.
Esses fatores, quando não controlados, podem gerar doenças ocupacionais, perda auditiva, acidentes graves e até situações fatais.
Riscos químicos: atenção redobrada no campo e na indústria
Os riscos químicos no setor sucroenergético estão associados principalmente ao uso de defensivos agrícolas, fertilizantes, lubrificantes, solventes, combustíveis e produtos utilizados nos processos industriais.
No campo, o manuseio inadequado de agrotóxicos pode causar:
- Intoxicações agudas e crônicas
- Irritações na pele e nos olhos
- Problemas respiratórios
- Contaminação ambiental
Já na indústria, a exposição a vapores, poeiras e substâncias químicas pode ocorrer durante a manutenção, limpeza de equipamentos e processos produtivos.
A gestão correta desses riscos passa por:
- Treinamento adequado dos trabalhadores
- Uso correto de EPIs
- Armazenamento seguro de produtos químicos
- Monitoramento ambiental e ocupacional
Riscos biológicos no ambiente sucroenergético
Os riscos biológicos nem sempre recebem a devida atenção, mas estão presentes tanto no campo quanto na indústria do setor sucroenergético.
No ambiente agrícola, os trabalhadores podem estar expostos a:
- Fungos, bactérias e vírus presentes no solo
- Picadas de insetos e animais peçonhentos
- Doenças transmitidas por vetores
Na indústria, os riscos biológicos podem surgir em áreas úmidas, sistemas de tratamento de efluentes e locais com acúmulo de resíduos orgânicos.
Esses riscos exigem medidas preventivas como:
- Programas de higiene e limpeza
- Vacinação quando aplicável
- Controle de pragas
- Orientação contínua aos trabalhadores
Riscos ergonômicos: um desafio crescente
Os riscos ergonômicos são cada vez mais relevantes no setor sucroenergético, especialmente com o aumento da mecanização e da intensificação do trabalho.
No campo, atividades repetitivas, posturas inadequadas e esforço físico excessivo ainda são uma realidade em algumas etapas do processo produtivo. Já na indústria, jornadas prolongadas, trabalho em turnos e atenção constante aos processos podem gerar sobrecarga física e mental.
Entre os principais problemas ergonômicos estão:
- Lesões por esforços repetitivos (LER/DORT)
- Dores lombares e musculares
- Fadiga física e mental
- Estresse ocupacional
A ergonomia aplicada de forma estratégica contribui não apenas para a saúde do trabalhador, mas também para a eficiência e a qualidade dos processos.
A Importância das Normas Regulamentadoras (NRs)
No setor sucroenergético, a conformidade com as normas brasileiras não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia de sobrevivência do negócio. Algumas NRs são fundamentais e não deve ser vista apenas como uma obrigação legal, mas como parte da estratégia do negócio. São elas:
- NR-31: Especificamente voltada para a agricultura, pecuária, silvicultura e exploração florestal. Ela dita as regras de segurança no campo.
- NR-12: Crucial para a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, comuns em todas as etapas da usina.
- NR-33: Trata de espaços confinados, muito comuns em silos e tanques de armazenamento de etanol.
Além disso, a integração da SST com práticas de ESG fortalece o compromisso da empresa com o pilar social e ambiental, algo cada vez mais valorizado pelo mercado.
Desafios de Gestão e a Cultura de Segurança
Não basta fornecer o equipamento de proteção individual (EPI); é preciso criar uma consciência de segurança. O setor sucroenergético enfrenta o desafio da rotatividade e da necessidade de treinamento contínuo.
Treinamento e Capacitação
A tecnologia nas usinas evolui rápido. Um operador de colhedora hoje opera um software tão complexo quanto o de um avião de pequeno porte. A capacitação técnica precisa caminhar junta com a conscientização de riscos. O erro humano, muitas vezes, é fruto de fadiga ou falta de clareza nos processos.
Gestão da Jornada de Trabalho
A safra exige um ritmo intenso, muitas vezes 24 horas por dia. O desafio aqui é gerenciar turnos de forma que o cansaço não se torne um agente causador de acidentes. O descanso adequado é, comprovadamente, a melhor ferramenta de prevenção de riscos ergonômicos e físicos.
O Papel da Tecnologia na Redução de Riscos
A boa notícia é que a “Indústria 4.0” chegou com força ao setor sucroenergético. Novas ferramentas estão ajudando a mitigar os riscos mencionados:
- Telemetria: Permite monitorar se o operador está correndo riscos desnecessários ou se a máquina apresenta falhas térmicas.
- Drones: Utilizados para aplicação de insumos e vigilância do campo, retirando o trabalhador de áreas de risco biológico e químico direto.
- Sensores de Fadiga:
- Tecnologias que identificam sinais de sono ou distração nos motoristas, prevenindo acidentes graves.
- Softwares iCAL: um software inteligente que apoia a gestão do setor sucroenergético ao centralizar o controle de requisitos legais, riscos e obrigações de SST, garantindo conformidade e redução de passivos.
Com informações organizadas e atualizadas, facilita a tomada de decisão e fortalece a segurança, a eficiência operacional e a sustentabilidade do negócio.
Profissionais que atuam no setor sucroenergético – Cortadores de cana
Este artigo também foi desenvolvido para uma atenção aos profissionais que atuam no setor sucroenergético. Por isso, hoje, na data de publicação 16 de janeiro, comemora-se o Dia do Cortador de Cana-de-Açúcar no Brasil, uma data que homenageia, valoriza e visa reconhecer o papel essencial desses profissionais no setor sucroenergético e refletir sobre as condições de trabalho no campo. Mais do que uma homenagem, a data reforça a necessidade de promover ambientes mais seguros, saudáveis e dignos, e este artigo tem justamente o objetivo de ampliar a conscientização sobre os riscos existentes e a importância da prevenção, da gestão de SST e do cuidado com quem está na base de toda a cadeia produtiva.
Desafios no setor sucroenergético
Os desafios do ambiente de trabalho no setor sucroenergético são complexos, mas totalmente gerenciáveis quando tratados de forma estratégica, preventiva e integrada. Riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos fazem parte da realidade do setor, tanto no campo quanto na indústria, e exigem atenção constante.
Ao investir em Saúde e Segurança do Trabalho, o setor sucroenergético fortalece não apenas a proteção dos trabalhadores, mas também a sustentabilidade do negócio, a conformidade legal e a competitividade no mercado.Mais do que um desafio, cuidar do ambiente de trabalho no setor sucroenergético é uma oportunidade de gerar valor, promover desenvolvimento e construir um futuro mais seguro e responsável para todos.
Como a Ius pode te ajudar?
A Ius apoia empresas do setor sucroenergético de forma estratégica e integrada, unindo a tecnologia do software CAL à atuação especializada de suas consultorias. Por meio do CAL, é possível gerenciar requisitos legais, riscos de SST, obrigações ambientais e indicadores de forma centralizada e atualizada, garantindo conformidade e segurança nas operações. Já as consultorias da Ius atuam de maneira prática e personalizada, apoiando no diagnóstico de riscos, na adequação à legislação, na implementação de boas práticas e no fortalecimento da cultura de segurança e sustentabilidade, gerando resultados reais para o negócio.