Dupla Materialidade ESG e Due Diligence: como integrar riscos, impactos e estratégia empresarial

Dupla materialidade ESG aplicada à due diligence para identificar riscos, impactos e garantir conformidade regulatória. [...]
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Dupla Materialidade ESG e Due Diligence: como integrar riscos, impactos e estratégia empresarial

Dupla materialidade ESG aplicada à due diligence para identificar riscos, impactos e garantir conformidade regulatória.
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A consolidação da agenda ESG transformou profundamente a forma como empresas identificam riscos, tomam decisões e constroem valor de longo prazo. Nesse contexto, a dupla materialidade ESG surge como um dos conceitos mais relevantes e estratégicos, especialmente quando integrada a processos estruturados de due diligence.

Mais do que uma exigência regulatória, a dupla materialidade redefine a lógica da análise de riscos e impactos, ampliando o olhar empresarial para além do desempenho financeiro imediato.A evolução regulatória, a pressão de investidores, a atuação de órgãos fiscalizadores e o amadurecimento das expectativas sociais tornaram insuficientes análises tradicionais de risco.

Hoje, espera-se que as organizações compreendam, de forma integrada, como fatores ESG afetam o negócio e como as atividades do negócio afetam a sociedade e o meio ambiente. É exatamente nesse ponto que a dupla materialidade se conecta de forma direta à due diligence ESG. Boa leitura!

O conceito de dupla materialidade parte da premissa de que a materialidade não pode ser analisada sob uma única perspectiva. Diferentemente do modelo tradicional, focado apenas nos impactos financeiros para a empresa, a dupla materialidade considera dois eixos complementares e indissociáveis.

O primeiro eixo é a materialidade financeira, que avalia como riscos e oportunidades ambientais, sociais e de governança podem impactar o desempenho econômico, a continuidade operacional, a reputação e o valor do negócio. Questões como mudanças climáticas, passivos ambientais, litígios trabalhistas e falhas de governança entram nesse campo.

O segundo eixo é a materialidade de impacto, que analisa os efeitos reais e potenciais das atividades empresariais sobre o meio ambiente e a sociedade. Aqui são considerados temas como emissões de gases de efeito estufa, degradação ambiental, impactos em comunidades, direitos humanos, saúde e segurança do trabalho, entre outros.

A dupla materialidade exige que ambos os eixos sejam analisados simultaneamente, reconhecendo que impactos negativos podem se transformar, no médio e longo prazo, em riscos financeiros relevantes para a empresa.

A due diligence ESG é o processo estruturado de identificação, avaliação, prevenção e mitigação de riscos e impactos relacionados a fatores ambientais, sociais e de governança. Quando alinhada ao conceito de dupla materialidade, a due diligence deixa de ser apenas um instrumento de verificação documental e passa a ser uma ferramenta estratégica de gestão de riscos e conformidade.

Na prática, a dupla materialidade amplia o escopo da due diligence, exigindo que as empresas analisem não apenas o que pode afetá-las financeiramente, mas também os impactos que geram ao longo de toda a cadeia de valor. Isso inclui fornecedores, prestadores de serviço, parceiros comerciais e operações indiretas.

Uma due diligence baseada em dupla materialidade permite:

  • Identificar riscos ocultos que não aparecem em análises financeiras tradicionais
  • Antecipar passivos ambientais, sociais e reputacionais
  • Fortalecer a governança corporativa e os controles internos
  • Garantir aderência a normas nacionais e internacionais
  • Apoiar decisões estratégicas de investimento, fusões e aquisições

O fortalecimento da dupla materialidade está diretamente ligado ao avanço das regulações ESG no Brasil e no exterior. Marcos regulatórios internacionais, como a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) na União Europeia, reforçam a obrigatoriedade da análise de dupla materialidade como base para relatórios de sustentabilidade e processos de diligência.

No Brasil, embora o conceito ainda esteja em consolidação normativa, ele já aparece de forma indireta em exigências de órgãos ambientais, trabalhistas, investidores institucionais e instituições financeiras. Empresas que não realizam uma análise adequada de dupla materialidade ficam mais expostas a sanções, restrições de crédito, questionamentos de stakeholders e danos reputacionais.

Além disso, a tendência global é de que a due diligence ESG evolua para modelos preventivos e baseados em risco, exigindo evidências claras de que a empresa identifica, avalia e gerencia seus impactos e riscos de forma contínua.

A implementação da dupla materialidade dentro de uma due diligence ESG exige método, dados confiáveis e visão estratégica. Não se trata de um exercício genérico, mas de um processo estruturado e adaptado à realidade de cada negócio.

Entre as principais etapas, destacam-se:

  • Mapeamento da cadeia de valor: identificação de operações próprias e indiretas, fornecedores críticos e áreas de maior risco
  • Levantamento de temas ESG relevantes: ambientais, sociais e de governança, considerando o setor de atuação
  • Análise de riscos financeiros e de impacto: avaliação da severidade, probabilidade e alcance dos impactos;
  • Engajamento de stakeholders: consulta a partes interessadas internas e externas;
  • Priorização de temas materiais: definição dos temas críticos sob a ótica da dupla materialidade;
  • Definição de planos de ação: medidas de mitigação, prevenção e monitoramento contínuo.

Esse processo fortalece a tomada de decisão e cria uma base sólida para relatórios ESG, auditorias, licenciamento ambiental, operações societárias e captação de recursos.

Empresas que incorporam a dupla materialidade em seus processos de due diligence não apenas reduzem riscos, mas também ampliam sua capacidade de gerar valor sustentável. A análise integrada de impactos e riscos fortalece a resiliência organizacional e melhora a relação com investidores, clientes e órgãos reguladores.

Entre os principais benefícios estão:

  • Redução de passivos ambientais e sociais
  • Maior segurança jurídica e regulatória
  • Melhoria da reputação e da confiança do mercado
  • Acesso facilitado a financiamentos e investimentos sustentáveis
  • Apoio à inovação e à eficiência operacional
  • Alinhamento com padrões internacionais de sustentabilidade

A dupla materialidade também contribui para uma governança mais robusta, ao integrar ESG à estratégia corporativa e aos processos decisórios de alto nível.

Apesar de seus benefícios, a aplicação da dupla materialidade ainda enfrenta desafios significativos. Muitas empresas carecem de dados estruturados, indicadores confiáveis e equipes capacitadas para conduzir análises aprofundadas. Além disso, a complexidade regulatória e a diversidade de metodologias podem gerar insegurança na implementação.

Outro desafio relevante é evitar que a dupla materialidade se torne apenas um exercício formal ou de marketing. Para gerar valor real, ela precisa estar integrada à gestão de riscos, à due diligence, aos controles internos e ao planejamento estratégico da organização.

Diante desse cenário, contar com uma consultoria especializada em serviços ambientais e ESG é um diferencial estratégico. Uma consultoria qualificada apoia as empresas desde a identificação de riscos e impactos até a implementação de soluções práticas e aderentes às exigências regulatórias.

Nossa consultoria atua de forma integrada, oferecendo suporte técnico e estratégico para:

  • Estruturação de processos de due diligence ESG
  • Aplicação prática da dupla materialidade
  • Mapeamento e mitigação de riscos ambientais e sociais
  • Apoio em auditorias, licenciamento e conformidade legal
  • Desenvolvimento de políticas, indicadores e relatórios ESG
  • Fortalecimento da governança e da tomada de decisão estratégica

Com uma abordagem técnica, personalizada e orientada à prevenção de passivos, ajudamos sua empresa a transformar a dupla materialidade ESG em uma vantagem competitiva real, alinhando sustentabilidade, conformidade regulatória e geração de valor no longo prazo.

A Ius apoia as empresas na aplicação prática da dupla materialidade ESG por meio de uma abordagem técnica, estratégica e totalmente alinhada às exigências regulatórias e às melhores práticas de mercado. Atuamos desde o mapeamento de riscos e impactos ambientais, sociais e de governança ao longo da cadeia de valor até a priorização dos temas materiais sob as perspectivas financeira e de impacto, garantindo análises robustas, defensáveis e orientadas à tomada de decisão. Com metodologias próprias, equipe multidisciplinar e profundo domínio normativo, a Ius auxilia na estruturação de processos de due diligence ESG, no atendimento a auditorias, na mitigação de passivos e na integração da dupla materialidade à estratégia do negócio, transformando obrigações regulatórias em vantagem competitiva e segurança jurídica para as empresas.

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Advogada (OAB/MG 189.395),é pós-graduada em Direito Ambiental e MBA em Sustentabilidade Corporativa. Atualmente cursa MBA em Marketing, Branding e Growth pela PUCRS. Na área ambiental, integrou a Comissão de Direito do Meio Ambiente da OAB/MG e atuou na curadoria do TEDx Savassi e do TEDx Cowdown, onde pôde colaborar com pesquisas e elaboração de roteiros sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. É co-autora do livro ‘’Coisas’’ e atualmente integra o time de negócios se dedicando exclusivamente no marketing da Ius, desenvolvendo estratégias e conteúdos alinhados ao crescimento da empresa e às práticas de ESG.

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