Sustentabilidade corporativa em 2026: o mercado avança, mas ainda trava na hora de medir e reportar

74% das empresas reconhecem valor na sustentabilidade, mas só 34% provam o retorno financeiro. Veja os dados do Panorama 2026 e como agir. [...]
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Sustentabilidade corporativa em 2026: o mercado avança, mas ainda trava na hora de medir e reportar

74% das empresas reconhecem valor na sustentabilidade, mas só 34% provam o retorno financeiro. Veja os dados do Panorama 2026 e como agir.
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74% das empresas reconhecem que a sustentabilidade fortalece sua reputação, mas apenas 34% conseguem provar o retorno financeiro dessa agenda. Esse é o retrato do mercado brasileiro segundo o Panorama Sustentabilidade Corporativa 2026, pesquisa realizada pela Amcham e Humanizadas com 587 lideranças empresariais.

Os dados revelam um movimento real e consistente de avanço. Ao mesmo tempo, expõem um gap crítico: a maioria das empresas ainda não construiu a estrutura mínima para transformar sustentabilidade em valor mensurável, nem para atender as regulações que já estão chegando.

Este artigo apresenta os principais dados do relatório e aponta onde estão as lacunas mais urgentes para quem precisa agir agora.

O valor percebido existe, mas a comprovação financeira, ainda não.

O primeiro dado que chama atenção no relatório é a distância entre percepção e comprovação. Enquanto 74% das empresas citam o fortalecimento da reputação como benefício concreto da agenda ESG, apenas 34% afirmam conseguir medir o retorno financeiro de maneira estruturada.

Outros impactos positivos reconhecidos pelos respondentes incluem maior eficiência de processos (65%) e redução de custos (60%). Mas quando a pergunta se torna “quanto isso representa em números?”, a resposta quase sempre é silêncio.

Esse gap entre reconhecer valor e comprová-lo não é apenas um problema de comunicação, mas de estrutura. Sem métricas financeiras atreladas à agenda de sustentabilidade, a área segue sendo tratada como custo, não como investimento.

A boa notícia é que esse ponto já está identificado como prioridade. Quando perguntados sobre o que mais limita a agenda de sustentabilidade nas suas empresas, 44% apontaram “provar retorno financeiro” como principal obstáculo, à frente de acesso a capital (38%), integração à estratégia (36%) e engajamento de liderança (35%).

Ou seja: o mercado já sabe onde está o problema, mas falta saber por onde começar.

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Os fatores críticos de sucesso: o que os próprios executivos dizem

O relatório de sustentabilidade da Amcham lista barreiras e traz, na voz dos próprios respondentes, o que seria necessário para destravar a agenda. Quatro fatores se destacam diretamente:

1. Provar retorno financeiro

A demanda é clara nas falas coletadas: falta mensuração estruturada do retorno da sustentabilidade e dos impactos financeiros dos riscos associados. Os executivos pedem indicadores que demonstrem o valor direto da agenda para o negócio.

Esse é exatamente o ponto de partida de qualquer análise de maturidade ESG consistente. Sem saber em que estágio a organização está, não é possível definir metas, alocar recursos ou justificar investimentos para a liderança. 

A análise de maturidade ESG da Ius Natura foi desenvolvida para mapear esse diagnóstico com precisão, identificando onde a organização já entrega valor e onde estão os maiores gaps a endereçar.

2. Acesso a capital

Entre os executivos que participaram da pesquisa, o tema aparece com clareza: é preciso fortalecer a captação de recursos internacionais, e o caminho para isso passa pela publicação de um Relatório de Sustentabilidade alinhado às normas e frameworks GRI, SASB e IFRS S1 e S2, entre outros, com asseguração independente. 

Sem essa base documental, a organização não consegue demonstrar aos investidores que a agenda ESG está integrada à estratégia financeira.

O acesso a capital verde e a instrumentos de financiamento sustentável, citado por 38% dos respondentes como fator limitante, depende diretamente da maturidade do reporte.

Empresas que ainda não publicam relatório de sustentabilidade, como é o caso de 68% do mercado segundo o próprio estudo, ficam de fora de uma janela crescente de capital que exige evidências, não apenas intenções.

3. Integrar sustentabilidade à estratégia

Um dos comentários coletados na pesquisa resume bem o desafio: a sustentabilidade não pode ser tratada como área isolada. Ela precisa estar incorporada à estratégia, à governança e à tomada de decisão, com metas e prestação de contas.

Essa integração exige mais do que vontade da liderança, o que inclui processos, ferramentas e uma metodologia que conecte os temas ESG ao planejamento estratégico da empresa. 

Os serviços ESG da Ius Natura foram estruturados exatamente para apoiar essa jornada, contemplando capacitações ESG, diagnóstico de maturidade ESG, estudos de determinação da materialidade (de impacto, financeira ou dupla materialidade), apoio à implementação de uma agenda integrada ao negócio, auditorias ESG internas e de fornecedores, e elaboração de relatórios de sustentabilidade.

4. Engajar as lideranças

O terceiro fator crítico apontado pelos respondentes é o engajamento das lideranças intermediárias, identificado como fundamental para a entrega dos resultados dos temas materiais. 

A pesquisa ainda aponta que metas atreladas ao bônus de colaboradores e executivos ajudam no atingimento de resultados mensuráveis.

Esse engajamento não acontece por decreto. Ele precisa ser construído com dados confiáveis, relatórios claros e uma narrativa que conecte a agenda ESG aos objetivos de negócio que cada liderança já persegue.

As regulações avançam, mas o mercado ainda não está preparado.

Se o gap entre percepção e comprovação já preocupa, o cenário regulatório adiciona urgência ao quadro. O relatório mostra que as novas exigências estão chegando, mas a base documental e operacional para atendê-las, em grande parte, ainda não existe.

Os números são diretos:

  • 73% das empresas não possuem ou não atualizam a Matriz de Materialidade
  • 68% não publicam Relatório de Sustentabilidade
  • Apenas 16% utilizam padrões contábeis sustentáveis como IFRS S1/S2

O estudo de determinação da Materialidade ESG é o ponto de partida para atender regulações ESG relevantes. Sem ele, a organização não sabe quais temas são prioritários para o negócio nem para os seus stakeholders. Não à toa, o relatório aponta que ele é pré-requisito tanto para o Relatório de Sustentabilidade, quanto para o atendimento de normas como CSRD da UE, e Resolução CVM 193/2013, que obriga as companhias de capital aberto a publicarem o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade tendo como base os padrões IFRS S1/S2.

Entender o que é uma Matriz de Materialidade, como construí-la e como mantê-la atualizada é o primeiro passo prático. O guia completo sobre Matriz de Materialidade ESG do blog da Ius Natura cobre esse processo em detalhes, com orientações metodológicas aplicadas à realidade do mercado brasileiro.

O que as empresas mais utilizam: ferramentas de gestão e reporte

O relatório também mapeia quais ferramentas as empresas efetivamente utilizam para gerir e reportar sustentabilidade. Os dados mostram um mercado em fase de adoção inicial, com bases sendo construídas, mas ainda distante do que as novas regulações vão exigir.

Ferramentas de gestão:

  • Benchmarking e avaliações externas: 39%
  • Certificações ambientais: 39%
  • Monitoramento de riscos: 31%
  • Monitoramento de oportunidades: 28%
  • Certificações de governança: 28%
  • Certificações sociais: 21%

Ferramentas de reporte e transparência:

  • Relatório de Sustentabilidade (GRI): 32%
  • Atualização da Matriz de Materialidade: 27%
  • Padrões contábeis sustentáveis (IFRS S1/S2): 16%

O padrão que emerge é o de empresas que constroem a base com benchmarking e certificações, mas que ainda não consolidaram os instrumentos de transparência que investidores e reguladores efetivamente demandam. 

  • Menos de um terço publica relatório GRI
  • Menos de um terço monitora riscos de forma estruturada

O relatório aponta que o próximo nível exige ir além da conformidade. Isso significa aprofundar o monitoramento de riscos e oportunidades, realizar e revisar periodicamente o estudo de determinação de materialidade (que gera a lista de temas materiais ou a Matriz de Materialidade) e incorporar padrões de impacto financeiro na gestão da agenda.

Mudanças regulatórias: um risco real que 52% das empresas já sentem

Quando perguntados sobre os principais riscos que ameaçam o desempenho e a continuidade dos negócios, os respondentes apontaram:

  • Aumento de custos: 69%
  • Queda de demanda: 55%
  • Mudanças regulatórias: 52%
  • Perda de talentos: 44%
  • Decisões estratégicas equivocadas: 42%

Mais da metade das empresas já identifica as mudanças regulatórias como uma ameaça concreta. E esse número tende a crescer à medida que normas como NR 01, IFRS S1/S2, regulação do mercado de carbono e exigências de due diligence em cadeias de suprimentos ganham força.

O dado mais revelador, porém, é que apenas 26% das empresas se consideram totalmente preparadas para as novas exigências regulatórias e de reporte. Ou seja: o risco é reconhecido, mas a resposta ainda é insuficiente.

Entre as agendas regulatórias que mais mobilizam as empresas em 2026, a NR 01 (que exige gerenciamento de bem-estar no ambiente de trabalho e de riscos ocupacionais, incluindo os riscos psicossociais) lidera com 42%, seguida por economia circular (34%) e mercado regulado de carbono (25%). A regulação mais citada não é climática, mas de pessoas.

Com a Ius, a tecnologia é sua grande aliada no monitoramento regulatório!

O que os dados indicam para quem precisa agir agora

O Panorama Sustentabilidade Corporativa 2026 confirma um movimento que já se observava nos anos anteriores: a agenda ESG não é mais voluntária e está cada vez mais associada à estratégia da empresa. Mas ela ainda não foi, para a maioria das empresas, traduzida em estrutura, processo e métricas financeiras.

As lacunas mais críticas identificadas no relatório são conhecidas:

  • A maioria das empresas não tem Matriz de Materialidade atualizada
  • A maioria não publica relatório de sustentabilidade
  • Poucos monitoram riscos e oportunidades de forma estruturada
  • Provar retorno financeiro segue sendo o principal obstáculo da agenda

Cada uma dessas lacunas tem solução e a janela para agir antes que as regulações tornem a adequação obrigatória ainda existe, mas está se fechando.

Para ver a pesquisa na íntegra, acesse o site da Amcham

Ius: ecossistema para guiar a jornada de sustentabilidade do seu negócio

A Ius Natura desenvolve soluções para apoiar empresas na jornada ESG, de capacitações e diagnóstico de maturidade à gestão de riscos, do Estudo de Determinação da Materialidade ESG ao Relatório de Sustentabilidade. 

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Mineira de BH, apaixonada pela cultura Customer Centric e de Sustentabilidade, é advogada (OAB/MG: 92.922), bacharel em Direito e licenciada em Ciências Biológicas pela UFMG, com especialização em Direito Ambiental pelo IETEC, e atualmente cursando MBA em ESG e Negócios Sustentáveis na USP/ESALQ. Atua há mais de 24 anos em conformidade legal e sistemas de gestão integrada, tendo atendido como consultora jurídica e auditora interna muitas das maiores empresas do país por mais de 15 anos, semeando as melhores práticas nas áreas de Meio Ambiente, Saúde e Segurança Ocupacional, Responsabilidade Social e Qualidade. Também atuou como Gerente de Contas Estratégicas, Gerente Executiva de Sucesso do Cliente e Gerente de Experiência do Cliente. Atualmente, é Diretora de Operações e Consultoria da Ius.

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