Mulher de negócios corporativa revisando análise de dados no trabalho
Em maio de 2026, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) publicou a Resolução CVM nº 244 e mudou o jogo do reporte corporativo de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade no Brasil: o relatório de sustentabilidade, que caminhava para se tornar obrigatório para companhias abertas, baseado em um padrão internacionalmente reconhecido, voltou a ser voluntário.
A leitura apressada dessa notícia é perigosa, já que muitas empresas entenderam que podem simplesmente arquivar o assunto.
Não é bem assim. Uma coisa é a obrigatoriedade legal imposta pelo regulador. Outra, bem diferente, é a exigência do mercado.
Investidores, bancos, grandes compradores e agentes da cadeia de suprimentos continuam pedindo comprovação das ações ambientais, sociais e de governança das empresas e organizações com quem se relacionam. Para esses públicos, a ausência de um relatório de sustentabilidade soa como falta de transparência.
Neste artigo você vai entender:
Um relatório de sustentabilidade é o documento em que uma organização apresenta, de forma estruturada, seu desempenho e seus impactos econômicos, ambientais e sociais, alinhados aos critérios ESG (Environmental, Social and Governance).
Ele traduz a estratégia de sustentabilidade da empresa em dados, evidências e metas verificáveis, servindo de canal de comunicação com investidores, órgãos reguladores, clientes e sociedade.
Na prática, o relatório organiza informações em três pilares. Veja exemplos:
Trata de temas como emissões de gases de efeito estufa, consumo de energia, uso de água, gestão de resíduos e impactos sobre a biodiversidade, entre outros.
Diz respeito às práticas trabalhistas, saúde e segurança ocupacional, diversidade, equidade e inclusão, direitos humanos, investimento social e relação com a comunidade, com fornecedores e clientes, entre outros temas.
Aqui, avaliam-se questões tais como ética corporativa, transparência e responsabilização, composição e estrutura de governança, propósito em relação à sustentabilidade, controles internos, gestão de riscos, auditorias e conformidade legal.
O diferencial de um bom relatório não está em descrever boas intenções, e sim em comprovar resultados com indicadores comparáveis ao longo do tempo. É essa transparência que o mercado valoriza.
Aqui está a origem da confusão. A Resolução CVM nº 193, de 2023, havia estabelecido um cronograma para que companhias abertas, fundos de investimento e companhias securitizadoras passassem a divulgar informações financeiras relacionadas à sustentabilidade conforme normas IFRS S1 e S2 do ISSB (adaptadas ao Brasil pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade – CBPS); para as companhias de capital aberto, a publicação do relato seria obrigatória a partir de 2027, relativa ao exercício de 2026.
A Resolução CVM nº 244, publicada em 29 de maio de 2026, alterou a Resolução 193/2023 e revogou essa obrigatoriedade. O reporte passou a ser voluntário, sob o modelo “pratique ou explique” (comply or explain). Na prática, isso significa que:
Ou seja: o relatório não é mais uma imposição, mas ganhou o status de compromisso público.
Optar por não divulgar não é mais um silêncio neutro, e sim uma escolha que precisa ser justificada perante investidores e agentes do mercado.
Para entender os detalhes jurídicos, prazos e o debate por trás dessa decisão, veja nossa análise completa sobre a Resolução CVM 244 e o fim do reporte obrigatório.
Vale lembrar que este relatório ainda é obrigatório para instituições financeiras de maior porte conforme regras da Comissão Monetária Nacional estabelecidas na Resolução CMN nº 4.818/2020, com redação dada pela Resolução CMN nº 5.185/2024.
A obrigatoriedade legal é apenas uma das forças que empurram as empresas a reportar, e não a mais forte.
Mesmo sob regime voluntário, o relatório de sustentabilidade segue sendo um mecanismo exigido por quem decide o acesso da empresa a capital, crédito e mercados. Veja os principais motivos.
Fundos, gestoras e bancos incorporaram critérios ESG na análise de risco e na alocação de recursos. Sem dados de sustentabilidade padronizados e comparáveis, a empresa fica invisível para uma parcela crescente do capital, especialmente o estrangeiro, que segue os padrões do ISSB e da GRI como referência global.
Grandes compradores cobram de seus fornecedores comprovação de práticas ambientais, sociais e de governança. Participar de licitações, homologações e programas de fornecedores muitas vezes depende de apresentar indicadores e relatórios. Quem não reporta, perde contratos.
O relatório é a principal defesa contra as acusações de greenwashing. Comunicar resultados com base em dados verificáveis protege a marca e evita o risco reputacional de promessas sem comprovação. Ele também ajuda a própria empresa a identificar pontos de melhoria e planejar metas de longo prazo.
Enquanto parte do mercado interpreta o fim da obrigatoriedade como permissão para parar, as empresas que mantêm o reporte se destacam. A transparência voluntária, hoje, comunica compromisso, maturidade e solidez.
Com isso, o custo de não ter um relatório de sustentabilidade aparece na forma de crédito mais caro, portas fechadas com investidores e contratos perdidos.
Quer transformar dados ESG dispersos em um documento que o mercado reconhece? Conheça o Relatório de Sustentabilidade da Ius, que organiza dados, evidências e resultados em um documento claro e alinhado às melhores práticas internacionais.
Não existe um único modelo de relatório de sustentabilidade. Existem padrões e frameworks que estruturam quais indicadores divulgar e como.
Escolher o padrão ou framework correto depende do setor, do porte e do público-alvo da empresa. Os principais são:
Antes de escolher o padrão, as organizações precisam entender quais temas são realmente relevantes para o seu negócio e seus stakeholders.
Esse é o papel do estudo de determinação de materialidade, em que você pode aprofundar através dos nossos conteúdos sobre materialidade ESG e dupla materialidade.
Elaborar um relatório de sustentabilidade envolve mais do que reunir informações no início do ano, referente ao ano anterior. É um processo estruturado, que costuma seguir estas etapas:
Um exemplo de estrutura básica de relatório de sustentabilidade costuma incluir os elementos abaixo. Essa organização é um ponto de partida, e deve ser adaptada à realidade e ao setor de cada empresa.
Montar um relatório de sustentabilidade que o mercado leve a sério exige método:
É aí que a Ius atua.
O Relatório de Sustentabilidade da Ius organiza dados, evidências e resultados em um documento estruturado e alinhado às melhores práticas, pronto para dialogar com investidores, a sociedade e demais públicos.
Para organizações que ainda estão no início da jornada, os Serviços ESG da Ius incluem capacitações para letramento em ESG, diagnóstico de maturidade, análise de materialidade, estruturação de estratégica e de indicadores e consultoria em governança e conformidade regulatória.
E como boa parte do pilar de governança depende de comprovar conformidade legal, o CAL mantém a gestão de requisitos legais da organização sempre atualizada, gerando a base de evidências que sustenta o relatório na frente regulatória de meio ambiente, energia, saúde e segurança ocupacional, responsabilidade social, qualidade, antissuborno, segurança da informação, trabalhista, tributário, governança corporativa (mosaico ES), entre outros escopos de legislação disponíveis.
Defina o objetivo e o público, faça a análise de materialidade, defina a governança e a estratégia ESG, escolha o padrão de referência (como GRI, IFRS ou SASB), colete e organize os dados, redija o relatório com evidências, submeta as informações a verificação independente e publique, mantendo o monitoramento contínuo dos indicadores e a análise crítica para a melhoria contínua.
Os principais padrões são o GRI (Global Reporting Initiative), o mais adotado no mundo; as normas do ISSB (IFRS S1 e S2), focadas em informações financeiras ligadas à sustentabilidade e ao clima; o Relato Integrado; SASB; e TCFD.
Não há um modelo único. A estrutura mais comum reúne mensagem da liderança, perfil da organização, temas materiais, desempenho ambiental, social e de governança, estratégia ESG, compromissos e metas, e o sumário de conteúdo do padrão adotado. O modelo deve ser adaptado ao setor e ao porte da empresa.
Desde a Resolução CVM nº 244, de maio de 2026, o reporte deixou de ser obrigatório para companhias abertas e passou ao regime voluntário “pratique ou explique”. A empresa que decide não reportar precisa comunicar essa opção ao mercado. Mesmo voluntário, o relatório continua sendo exigido por investidores e agentes de mercado. Vale lembrar que este relatório ainda é obrigatório para instituições financeiras de maior porte conforme regras da Comissão Monetária Nacional estabelecidas na Resolução CMN nº 4.818/2020, com redação dada pela Resolução CMN nº 5.185/2024.
O fim da obrigatoriedade imposta pela CVM não encerra a era dos relatórios de sustentabilidade, mesmo porque eles são publicados voluntariamente desde meados dos anos 1980.
Ao contrário: ele separa as empresas que reportam por medo de multa das que reportam porque entendem o valor da transparência.
Para investidores, bancos e grandes compradores, o relatório continua sendo a evidência de que uma empresa gerencia riscos, cumpre a legislação e leva a agenda ESG a sério.
Se a sua empresa quer usar o relatório de sustentabilidade como um ativo de reputação e acesso a mercado (e não apenas como cumprimento de norma), a Ius pode ajudar.
Solicite uma proposta ou fale com um especialista e estruture um relatório que o mercado reconhece.
Instrução Normativa CPRH 001/2026 cria o Sistema MTR-PE. Veja quem deve se cadastrar, prazos, resíduos…
Portaria SCSP 111/2025 torna obrigatória a emissão do MTR pelo SISGIR em Fortaleza. Veja prazos,…
Veja como a Andrade Gutierrez sustenta a gestão da conformidade legal de suas obras com…
Selo ESG Cargas: entenda a Resolução ANTT 6.086/26, como funciona a certificação, os fatores E,…
Entenda como fazer a gestão de riscos e oportunidades com base na ISO 31000:2018 e…
ESG e Gestão Ambiental na prática: integre governança, compliance, gestão de riscos e a ABNT…