ESG

Due Diligence ESG na Cadeia de Fornecedores: como reduzir riscos legais, operacionais e reputacionais

Due diligence ESG de fornecedores é um processo fundamental para evitar riscos ambientais, trabalhistas, reputacionais e regulatórios na sua empresa.

Nos últimos anos, cresceu de forma expressiva a cobrança sobre empresas em relação aos impactos gerados pelas atividades de fornecedores, prestadores de serviço, parceiros logísticos e demais terceiros envolvidos na cadeia de valor.

Neste artigo, você confere:

  • o que é due diligence ESG
  • por que ela se tornou prioridade nas empresas
  • o que avaliar em uma due diligence ESG
  • como a tecnologia pode apoiar sua empresa nesse processo

Por que a due diligence ESG virou prioridade nas empresas?

O aumento da cobrança pela due diligence é resultado de, pelo menos, seis fatores:

  • fortalecimento das agendas ESG no mercado nacional e internacional
  • aumento da pressão de investidores e agências de rating
  • exigências de clientes corporativos e mercados de exportação
  • crescimento das fiscalizações e maior rigor regulatório
  • ampliação das obrigações de governança corporativa
  • intensificação de auditorias ambientais, trabalhistas e de compliance com foco em terceiros

Nesse cenário, a due diligence ESG não é apenas uma prática recomendável, mas um mecanismo efetivo de prevenção de riscos corporativos.

O que é due diligence ESG?

Due diligence ESG é um processo estruturado de avaliação prévia de aspectos ambientais, sociais, trabalhistas, previdenciários, regulatórios, reputacionais, anticorrupção e de governança relacionados a fornecedores, parceiros e demais terceiros envolvidos na cadeia de valor.

Seu objetivo é identificar vulnerabilidades associadas a terceiros antes e durante a relação contratual, permitindo que a empresa contratante tenha maior controle sobre riscos capazes de gerar impactos financeiros, jurídicos, operacionais e reputacionais.

Além da prevenção de passivos legais, a due diligence ESG contribui para evitar interrupções na cadeia de suprimentos, perdas financeiras decorrentes de fornecedores críticos e riscos que possam comprometer contratos, financiamentos e relacionamentos comerciais estratégicos.

Embora muitas organizações ainda associem due diligence apenas à análise documental inicial de fornecedores, a tendência atual é de processos muito mais amplos e contínuos. Empresas vêm sendo cobradas a demonstrar:

  • critérios objetivos de homologação
  • monitoramento periódico documentado
  • rastreabilidade das avaliações realizadas
  • gestão e conservação de evidências
  • acompanhamento de requisitos legais aplicáveis a terceiros
  • avaliação de riscos críticos da cadeia de fornecimento

Esse conjunto de exigências é especialmente relevante em setores com alta terceirização operacional, como indústria, mineração, offshore, óleo e gás, logística, construção civil, energia e infraestrutura.

Assista: Gestão de Fornecedores na Prática

Nesta live, especialistas da Ius Natura discutem como estruturar processos de gestão de terceiros: quais critérios avaliar e como a tecnologia apoia o monitoramento contínuo.

Indicado para gestores de compliance, ESG, meio ambiente e SST.

A responsabilidade das empresas sobre terceiros

No Brasil, diversos dispositivos legais e entendimentos jurisprudenciais já demonstram o aumento da responsabilização das empresas contratantes por danos causados por terceiros vinculados à sua operação.

Na esfera ambiental, a responsabilidade civil possui natureza objetiva, conforme o art. 14, §1º da Lei nº 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente), que determina que o poluidor é obrigado, independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por sua atividade.

A definição de poluidor contida no art. 3º, IV da mesma lei abrange qualquer pessoa física ou jurídica responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental.

Além disso, crescem os entendimentos jurisprudenciais e administrativos relacionados à corresponsabilização de empresas em situações envolvendo:

  • danos ambientais causados por prestadores de serviço
  • acidentes graves ocorridos em operações terceirizadas
  • trabalho em condições análogas à escravidão na cadeia produtiva
  • práticas de corrupção por parte de fornecedores
  • violações de direitos humanos na cadeia de valor
  • irregularidades na cadeia produtiva identificadas por auditorias ou fiscalizações

Nos últimos anos, o tema ganhou força também em agendas internacionais. Mercados europeus, em especial, passaram a exigir evidências sobre o controle de riscos em cadeias de fornecimento como condição para celebração e manutenção de contratos.

ESG e cadeia de fornecedores: um tema cada vez mais estratégico

Durante muito tempo, programas ESG focaram predominantemente nas operações internas das organizações. Hoje, investidores e stakeholders exigem uma visão mais ampla, que considere os impactos de toda a cadeia de valor.

Nesse contexto, a avaliação ESG da cadeia de fornecedores tornou-se um elemento estratégico para a gestão corporativa. Mais do que verificar documentos ou certidões, o processo permite identificar riscos e oportunidades relacionados a aspectos ambientais, sociais e de governança que podem impactar diretamente indicadores de sustentabilidade, metas ESG, certificações, financiamentos e a reputação da organização.

Na prática, isso significa que não basta que a empresa possua boas práticas internas se fornecedores críticos apresentam:

  • irregularidades ambientais ou ausência de licenciamento
  • passivos trabalhistas não resolvidos
  • falhas de segurança documentadas
  • histórico de autuações por órgãos reguladores
  • fragilidades de governança ou ausência de controles anticorrupção

Esse cenário já impacta diretamente:

  • contratos corporativos
  • processos de auditoria
  • certificações ISO
  • financiamentos
  • avaliações de crédito
  • reputação empresarial.

Organizações que não possuem mecanismos estruturados de controle sobre terceiros tendem a apresentar maior exposição a riscos regulatórios e reputacionais.

O que avaliar em uma due diligence ESG?

A profundidade da avaliação depende do porte da empresa, do segmento de atuação e da criticidade do fornecedor.

Nem todos os fornecedores apresentam o mesmo nível de risco para a organização. Por isso, empresas mais maduras adotam metodologias de avaliação baseadas em risco (Risk-Based Due Diligence), direcionando análises mais aprofundadas e monitoramentos mais frequentes para fornecedores considerados críticos sob a ótica ambiental, trabalhista, regulatória, operacional ou reputacional.

Ainda assim, alguns pontos vêm se tornando padrão nas organizações mais maduras:

Aspectos ambientais e regulatórios

  • Regularidade ambiental e validade das licenças pertinentes
  • Histórico de autuações por órgãos ambientais (IBAMA, órgãos estaduais e municipais)
  • Gestão de resíduos em conformidade com a Lei nº 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) e normas aplicáveis
  • Atendimento a condicionantes de licenças e autorizações
  • Certificações ambientais aplicáveis ao setor (ex.: ISO 14001)

Aspectos trabalhistas e de saúde e segurança

  • Conformidade com a legislação trabalhista (CLT e normas regulamentadoras)
  • Gestão de saúde e segurança do trabalho (incluindo requisitos das NRs aplicáveis)
  • Histórico de acidentes, autuações trabalhistas e ações judiciais
  • Ausência de registro em listas de trabalho análogo ao escravo

Aspectos de governança e anticorrupção

  • Controles anticorrupção alinhados à Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção)
  • Existência de políticas de compliance e código de conduta
  • Estrutura de governança e transparência nas informações
  • Ausência em listas de restrição (CEIS, CNEP e outros cadastros públicos)

Aspectos reputacionais

  • Histórico de sanções, embargos ou autuações relevantes
  • Exposição negativa na mídia relacionada a questões ESG
  • Avaliações de risco reputacional da cadeia

Além da análise documental, muitas empresas passaram a incorporar auditorias periódicas em fornecedores, avaliações de risco graduadas por criticidade e monitoramento contínuo de requisitos legais.

Outro mecanismo cada vez mais utilizado são as auditorias de segunda parte, realizadas diretamente nos fornecedores para verificar a efetividade dos controles ambientais, trabalhistas, de saúde e segurança, compliance e governança. Essa abordagem permite validar informações documentais e obter uma visão mais completa dos riscos existentes na cadeia de fornecimento.

O que mudou nas auditorias de sistemas de gestão

Em auditorias de Sistemas de Gestão baseados nas normas ISO 14001 e ISO 45001, é possível observar aumento importante da cobrança sobre processos de homologação, monitoramento e avaliação de terceiros.

Muitas não conformidades identificadas hoje estão relacionadas à ausência de:

  • critérios formais de homologação de fornecedores
  • avaliação de riscos ESG e legais dos fornecedores
  • monitoramento documentado de requisitos legais pertinentes a terceiros
  • controle e organização de evidências
  • acompanhamento de prestadores críticos ao longo do ciclo contratual

Isso ocorre porque falhas de terceiros impactam diretamente:

  • a conformidade ambiental
  • a segurança operacional
  • o cumprimento de condicionantes
  • os indicadores ESG
  • a reputação da organização contratante

Empresas que tratam fornecedores apenas sob critérios financeiros ou operacionais tendem a enfrentar maiores dificuldades diante das novas exigências de mercado e nas auditorias de certificação.

Por que a tecnologia se tornou necessária na due diligence ESG

O aumento da complexidade regulatória e do volume de informações exigidas tornou praticamente inviável realizar controles efetivos apenas por meio de planilhas e processos manuais.

Soluções tecnológicas especializadas permitem:

  • monitoramento contínuo de requisitos legais aplicáveis a fornecedores
  • centralização e organização de evidências documentais
  • controle de vencimentos de licenças, certidões e documentos
  • classificação de riscos por criticidade do fornecedor
  • rastreabilidade documental e histórico de avaliações
  • gestão e acompanhamento de auditorias e planos de ação
  • integração entre diferentes áreas e unidades da organização

Além de reduzir falhas operacionais, esse tipo de estrutura fortalece a governança, o compliance e a capacidade de resposta em auditorias e fiscalizações.

O que fazer agora: como estruturar a due diligence ESG na sua empresa

A tendência é que a gestão da cadeia de fornecedores continue ganhando relevância dentro das agendas ESG e de compliance corporativo. Mais do que avaliar documentos no momento da contratação, empresas precisarão demonstrar capacidade contínua de monitoramento, gestão de riscos e controle sobre impactos associados a terceiros.

Organizações que antecipam esse movimento tendem a:

  • reduzir passivos
  • fortalecer auditorias
  • aumentar segurança jurídica
  • melhorar seu posicionamento diante de investidores, clientes e órgãos reguladores

Para estruturar ou aprimorar o processo de due diligence ESG na sua cadeia de fornecedores, o ponto de partida envolve:

  • mapear os fornecedores críticos conforme o risco que representam à operação
  • definir critérios formais de homologação que incluam aspectos ESG e requisitos legais
  • estabelecer rotinas de monitoramento periódico (não apenas no momento da contratação)
  • organizar evidências de forma rastreável e auditável
  • adotar ferramentas que permitam automação e controle centralizado
  • treinar equipes para lidar com os requisitos e avaliar fornecedores de forma consistente

Quer estruturar ou aprimorar a due diligence ESG na sua cadeia de fornecedores?

A Ius Natura apoia empresas no monitoramento de requisitos legais, homologação e avaliação de fornecedores, gestão de evidências e conformidade contínua de terceiros. 

Conheça as soluções da Ius

Isabella Diniz

Bacharela em Direito pela Escola Superior Dom Helder Câmara, é pós- graduada em Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão de Riscos e Compliance e em Direito Ambiental e Sustentabilidade. Possui formação técnica em Administração pelo ETFG-SEBRAE e certificações em proteção de dados, incluindo DPO pela EXIN. É consultora jurídica e atua diretamente com auditorias de conformidade legal, ESG e governança corporativa. É Auditora do PGR CETESB, Auditora Interna em SGI (ISO 9001, ISO 14001, ISO 45001) e Auditora Interna em ESG (ABNT PR 2030:2022). Acredita na importância da sustentabilidade, segurança jurídica e inovação para um ambiente corporativo mais responsável.

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